Hoje eu dei um sorvete à alguém que me pediu!
Acontece tanta coisa ruim com a gente que nós criamos “barreiras naturais” para nos proteger. “Todo pivete é perigoso”, “Toda pessoa que pede esmola não precisa ou então vai usar para beber cachaça ou comprar loló”, etc. Creio que seria muito bom a gente deixar um pouco de lado essas proteções que uma vez ou outra realmente são necessárias. Elas nos afastam da realidade e em algum momento nos tornam insensíveis, nos tornam menos humanos.
Já ouvi gente que diz que à principio não confia em ninguém e vai removendo essa barreira com o tempo, quando vai conhecendo melhor a pessoa. Poxa! Não confiar em ninguém? Todo pivete é perigoso? Todo pedinte é um bêbado que bate na esposa? Muitos são, tá certo, mas não dá para generalizar assim.
Meu pensamento é que sempre devemos ter a mente aberta para as coisas que nos acontecem. Sempre deveríamos analisar, pensar, se preocupar, confiar. Afinal se ninguém confiar em ninguém não teremos uma sociedade de verdade. Que tal considerar todos como amigos?. Tratar bem todo mundo? Dar crédito às pessoas antes de julgá-las e atribuirmos estereótipos? Não fomos nós que inventamos a célebre frase “inocente até que se prove o contrário”? É muito melhor pensar assim do que ficar do lado de gente que pensa “culpado até que se prove o contrário”. Quero ser o melhor amigo de todos!
Pois bem. Hoje fui comprar sorvete com minha paquera (ela não quer que eu a chame de namorada – não vou dar mais detalhes para vocês). Estava eu estacionado perto da sorveteria. Um menino de rua chegou no vidro e me pediu dinheiro para comprar sorvete. Pela aparência dele percebi que ele não teria realmente dinheiro para comprar sorvete. Perguntei a ele qual era o preço. “R$ 1,50″. Peguei uma nota de R$ 2,00 e prontamente entreguei a ele. Eu tinha o dinheiro. Ele precisava. Ele disse que era para comprar sorvete. Eu achei o motivo justo. Então dei o dinheiro à ele e ele foi comprar o sorvete. Vi ele comprando e vi ele comendo. O irmão dele me abordou e eu disse que o dito cujo já estava viabilizando a delícia. O menino foi correndo ao encontro do irmão. Enfim.. o quê você teria pensado e/ou feito? Conheço gente que diria “Não tenho dinheiro”, “(humm, ele vai comprar loló então não vou dar)”, “(humm, não vou baixar esse vidro pois ele vai me roubar)”, “Vá trabalhar para comprar o que quer”, “(humm, não posso dar o peixe, o menino tem que saber pescar)” – você já ensinou alguém à “pescar”!? Qual foi sua última contribuição para a melhoria da qualidade de vida dos mais necessitados? É muito fácil dizer o que está errado. Difícil é agir. Ou melhor, agir é fácil, difícil é querer agir. Quanta falta de tudo! Uma pessoa pede ajuda e a outra, que pode atender o pedido, recusa! Tente ver a situação de longe: Alguém pedindo ajuda ao outro, que ignora o pedido mesmo que possa atendê-lo. É feio!
Moral da estória: CONFIE NAS PESSOAS ANTES DE QUALIFICÁ-LAS. CONFIE NAS PESSOAS! SÃO PESSOAS! SÃO HUMANOS IGUAIS À VOCÊ! MERECEM O MESMO CRÉDITO QUE VOCÊ DÁ AO SEU PREFEITO, GOVERNADOR, PRESIDENTE (alguns desses caras lhes roubam milhões – licitações divertidas, dinheiro na cueca, mensalão, quartel de postos de combustível, etc. E você nem reclama!) OU AO SEU IRMÃO. TODOS SOMOS SERES HUMANOS! “INOCENTE ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO!”!
É isso.
